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Controle biológico ganha espaço na proteção da lavoura

Rei KazunariPor Rei Kazunari29 de julho de 2026Nenhum comentário6 Mins de leitura
Wander Aguilera Almeida
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Entre os principais desafios enfrentados por produtores que buscam reduzir a dependência de defensivos químicos tradicionais está a adoção do controle biológico de pragas, prática que utiliza organismos vivos, como fungos, bactérias e insetos predadores específicos, para combater pragas que historicamente comprometiam a produtividade de culturas como soja e milho ao longo do ciclo produtivo. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio que acompanha de perto essa realidade a partir da intermediação de negócios agrícolas, observa que essa técnica tem ganhado espaço crescente entre produtores que buscam equilibrar produtividade e sustentabilidade em suas propriedades rurais, sobretudo diante de exigências cada vez maiores de compradores internacionais.

Como funciona, na prática, o controle biológico de pragas agrícolas?

O controle biológico utiliza inimigos naturais de determinadas pragas, sejam eles predadores, parasitoides ou patógenos específicos, para reduzir a população desses organismos nocivos à lavoura, sem depender exclusivamente de aplicações químicas que, ao longo do tempo, podem gerar resistência nas próprias pragas combatidas. Essa técnica exige conhecimento técnico específico sobre o ciclo biológico tanto da praga quanto do agente de controle utilizado, já que a eficácia do método depende diretamente do momento correto de aplicação em relação ao estágio de desenvolvimento da população de pragas presente na lavoura cultivada.

Diferentes fungos entomopatogênicos, por exemplo, têm se mostrado eficazes no controle de determinadas lagartas que historicamente comprometiam plantações de soja e milho, oferecendo alternativa que reduz significativamente a necessidade de aplicações químicas repetidas ao longo do ciclo produtivo completo da cultura cultivada na propriedade. Vespas parasitoides, utilizadas especificamente contra determinadas pragas de lepidópteros, também têm se tornado ferramenta cada vez mais acessível a produtores que investem nesse tipo de manejo biológico integrado.

Quais vantagens o controle biológico oferece em comparação a defensivos químicos?

O controle biológico costuma reduzir a incidência de resistência de pragas, problema recorrente associado ao uso repetido de determinados princípios ativos químicos, já que os mecanismos biológicos de controle atuam de forma distinta e menos previsível para os organismos combatidos, dificultando a adaptação genética que costuma comprometer a eficácia de defensivos químicos utilizados de forma repetitiva. Wander Aguilera Almeida aponta que essa vantagem representa argumento relevante para produtores que já enfrentam dificuldade crescente com pragas resistentes a determinados grupos químicos utilizados historicamente em suas propriedades agrícolas.

Além disso, o controle biológico tende a apresentar menor impacto sobre organismos benéficos presentes no ecossistema da lavoura, como polinizadores e outros insetos que contribuem naturalmente para o equilíbrio biológico da propriedade, benefício ambiental que também tem se tornado critério valorizado por compradores internacionais preocupados com a sustentabilidade da produção agrícola importada. Essa preservação da biodiversidade local também contribui indiretamente para a produtividade de outras culturas eventualmente cultivadas na mesma propriedade ao longo de diferentes ciclos produtivos.

Como o produtor pode integrar controle biológico ao manejo tradicional da lavoura?

Integrar controle biológico ao manejo tradicional exige planejamento cuidadoso sobre o momento de aplicação de cada método, já que determinados defensivos químicos podem comprometer a eficácia dos agentes biológicos caso sejam aplicados de forma incompatível ao longo do mesmo ciclo produtivo, exigindo conhecimento técnico específico sobre como combinar adequadamente essas diferentes abordagens de proteção da lavoura. Wander Aguilera Almeida reforça que produtores que buscam essa integração costumam se beneficiar de assessoria técnica especializada, sobretudo durante os primeiros ciclos de adoção dessa prática mais recente em suas propriedades agrícolas, período em que ajustes de manejo ainda estão sendo consolidados.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Monitoramento constante da população de pragas na lavoura também se torna ainda mais relevante nesse modelo integrado, já que a decisão sobre qual método utilizar em determinado momento específico depende diretamente do nível de infestação identificado e da fase de desenvolvimento da cultura cultivada naquele período do ciclo produtivo. Armadilhas específicas de monitoramento, distribuídas estrategicamente pela lavoura, ajudam a antecipar picos populacionais de pragas antes que atinjam nível economicamente relevante.

Qual o impacto comercial da adoção de controle biológico na negociação da safra?

Produtores que adotam controle biológico de forma consistente conseguem, em muitos casos, reduzir o volume de resíduos químicos presentes no grão colhido, característica cada vez mais valorizada por compradores que exigem certificações específicas relacionadas a práticas sustentáveis de manejo ao longo da cadeia produtiva agrícola. Wander Aguilera Almeida expõe que essa redução de resíduos pode representar diferencial competitivo relevante na negociação com compradores mais exigentes, ampliando o número de mercados potencialmente acessíveis à produção da propriedade que adota esse tipo de manejo mais sustentável ao longo do tempo.

Essa vantagem comercial, embora ainda não se traduza universalmente em prêmio direto de preço, tende a se fortalecer nos próximos anos, à medida que exigências internacionais relacionadas a resíduos químicos em commodities agrícolas se tornam progressivamente mais rigorosas em diferentes mercados compradores ao redor do mundo, especialmente na União Europeia.

Quais desafios ainda limitam a adoção mais ampla dessa técnica no Brasil?

Apesar dos benefícios evidentes, o controle biológico ainda enfrenta desafios relacionados à necessidade de conhecimento técnico especializado, ao custo de determinados agentes biológicos e à sensibilidade desses organismos a condições climáticas específicas, fatores que podem comprometer a eficácia do método caso não sejam adequadamente considerados no planejamento de aplicação. Wander Aguilera Almeida avalia que a produção e o armazenamento adequado de agentes biológicos exigem cuidados específicos, distintos daqueles aplicáveis a defensivos químicos tradicionais, o que representa curva de aprendizado adicional para produtores que iniciam a adoção dessa prática mais recente.

Cooperativas e centros de pesquisa agrícola têm contribuído para reduzir essas barreiras, oferecendo capacitação técnica e, em alguns casos, produção compartilhada de agentes biológicos, o que reduz o custo individual de acesso a essa tecnologia para produtores de diferentes escalas produtivas.

Qual o papel do intermediador na orientação sobre adoção dessa técnica?

Orientar produtores sobre como e quando adotar controle biológico de forma equilibrada, considerando tanto benefícios agronômicos quanto oportunidades comerciais específicas, representa contribuição relevante que um intermediador experiente pode oferecer, ajudando a conectar decisões técnicas de manejo às exigências específicas de compradores mais atentos a critérios de sustentabilidade na produção agrícola. Wander Aguilera Almeida costuma indicar que essa orientação integrada tende a se tornar cada vez mais valorizada por produtores que buscam equilibrar produtividade, sustentabilidade e competitividade comercial ao longo dos próximos ciclos produtivos de suas propriedades rurais.

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