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Nova classificação da ANBIMA deve elevar transparência dos FIDCs, avalia ID CTVM

Rei KazunariPor Rei Kazunari13 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins de leitura
ID CTVM
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Iniciativa busca detalhar estratégias e tipos de recebíveis de cada fundo, ampliando a capacidade de investidores avaliarem risco de crédito em meio à expansão acelerada do setor

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais prepara uma nova classificação para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, com o objetivo de detalhar de forma mais clara a estratégia e o tipo de recebível que compõem a carteira de cada fundo, seja duplicatas, faturas de cartão de crédito, crédito consignado ou outras modalidades de direitos creditórios. A iniciativa chega em um momento de expansão acelerada do setor: FIDCs multiclasse somaram patrimônio superior a R$ 110 bilhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, enquanto o conjunto de Notas Comerciais e FIDCs avançou 24% em um trimestre, de R$ 77 bilhões para R$ 95,5 bilhões, segundo dados do setor, tema que a ID CTVM acompanha de perto como administradora fiduciária de fundos multiclasse.

Detalhamento de estratégia facilita comparação entre fundos

Atualmente, investidores que avaliam diferentes opções de FIDCs frequentemente enfrentam dificuldade para comparar fundos entre si, já que a nomenclatura e o nível de detalhamento sobre o tipo de recebível e a estratégia de originação variam significativamente entre gestoras. A nova classificação da ANBIMA busca padronizar essas informações, permitindo que investidores institucionais e seus assessores identifiquem com mais precisão a exposição de risco de cada fundo antes de alocar recursos, de forma semelhante ao que já ocorre há mais tempo na classificação de fundos de renda fixa e multimercado.

Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a padronização proposta pela ANBIMA deve beneficiar tanto investidores quanto administradores fiduciários.

“Quanto mais clara for a comparação entre fundos, menor o espaço para divergência de expectativa entre o que o investidor imagina estar comprando e o que a carteira efetivamente contém. Isso beneficia todo o ecossistema, inclusive os administradores fiduciários responsáveis pela prestação de contas de cada fundo”, explica o executivo.

CVM 175 consolidada já trouxe bases para a nova etapa

A nova classificação se apoia sobre a estrutura já consolidada pela Resolução CVM 175, que estabeleceu regras específicas para a classificação de FIDCs por categoria, exigência de gestor regulado, subordinação mínima de cotas e responsabilidades bem definidas entre administrador, gestor, custodiante e auditor independente. Com essas bases regulatórias já em vigor, a nova classificação da ANBIMA representa um refinamento adicional, voltado a melhorar especificamente a comunicação sobre a estratégia e o tipo de ativo de cada fundo, e não uma reformulação estrutural do arcabouço já implementado nos últimos anos.

A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para exercer administração fiduciária, custódia qualificada e controladoria de fundos estruturados, funções que incluem a prestação de informações periódicas sobre a composição e o desempenho das carteiras sob sua administração. A companhia administra mais de 550 fundos ativos, muitos deles estruturados como FIDCs multiclasse voltados a diferentes segmentos da economia real.

Cerca de 74% da carteira sob administração da companhia foi constituída organicamente dentro da própria instituição, o que, segundo a ID CTVM, favorece a padronização interna de processos de classificação e reporte à medida que novas exigências regulatórias e de autorregulação entram em vigor.

Adequação deve ocorrer de forma gradual

Para Balassiano, a adequação à nova classificação deve ocorrer de forma gradual, sem impacto disruptivo para o mercado.

“Mudanças de classificação costumam ser implementadas com período de transição suficiente para que administradores e gestores ajustem seus processos internos sem prejudicar a operação diária dos fundos já em funcionamento”, acrescenta o diretor da ID CTVM.

A expectativa é que a nova classificação também facilite o trabalho de consultores especializados e gestoras que estruturam FIDCs voltados a nichos específicos da economia real, como agronegócio, saúde e crédito para o middle market, ao fornecer uma nomenclatura padronizada que ajude a comunicar com clareza o posicionamento de cada fundo dentro do universo mais amplo de crédito privado estruturado.

Padrão de transparência deve se consolidar no setor

A expectativa entre participantes do mercado é que a nova classificação da ANBIMA contribua para consolidar um padrão mais elevado de transparência na indústria de FIDCs brasileira, à medida que o setor continua em trajetória de crescimento acelerado. Para administradores fiduciários, a capacidade de adaptar processos internos de reporte e classificação de carteiras às novas exigências deve seguir como um fator relevante de diferenciação nos próximos anos. Investidores institucionais estrangeiros que avaliam alocar capital em FIDCs brasileiros também devem se beneficiar da maior padronização, um fator que costuma facilitar a comparação com estruturas de crédito privado semelhantes em outros mercados.

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