Uma pesquisa interna do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que 88,1% dos servidores e colaboradores participantes já utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas atividades. O levantamento, conduzido pela Secretaria de Tecnologia da Informação e Evolução Digital, ouviu 1.122 pessoas e traçou um diagnóstico sobre o estágio de adoção da IA generativa na instituição.
Os resultados foram divulgados pelo Tribunal de Contas da União em 18 de setembro de 2026. A pesquisa mostra que a tecnologia já faz parte da rotina de uma parcela significativa do quadro consultado, principalmente em tarefas relacionadas à produção, organização e análise de informações.
Como a inteligência artificial é usada no TCU
Entre as aplicações mais citadas estão a elaboração e a revisão de textos, a realização de pesquisas técnicas, a produção de resumos de processos e a estruturação de ideias. Os participantes também relataram o uso da IA em análise processual e no exame de dados, atividades que envolvem grande volume de documentos e exigem organização das informações.
O ChatTCU, ferramenta desenvolvida pelo próprio tribunal, aparece como o recurso mais utilizado entre os servidores que recorrem à inteligência artificial. Segundo o levantamento, 76,6% dos usuários de IA afirmaram utilizar a solução institucional. O dado indica a presença de uma alternativa própria dentro do ambiente de trabalho do TCU, ao lado de outras ferramentas disponíveis no mercado.
A frequência de uso também chama atenção. Do total de participantes que utilizam inteligência artificial, 45,1% disseram recorrer à tecnologia diariamente. O resultado sugere que a adoção não está restrita a testes pontuais ou a experiências isoladas, mas já integra parte dos fluxos de trabalho acompanhados pela pesquisa.
Redução de tempo e ampliação da análise
O impacto mais diretamente associado à produtividade aparece na percepção sobre o tempo gasto em tarefas rotineiras. Entre os usuários consultados, 64,5% informaram ter registrado uma redução superior a 30% no tempo dedicado a esse tipo de atividade após o uso de ferramentas de inteligência artificial.
O ganho apontado pelos participantes, no entanto, não se limita à velocidade de execução. De acordo com o diagnóstico, 39% consideraram a ampliação da profundidade analítica o principal benefício obtido com a tecnologia. Outros 32,7% destacaram melhorias incrementais na qualidade das entregas técnicas.
Os números mostram que, no contexto analisado pelo TCU, a inteligência artificial é percebida tanto como apoio à produtividade quanto como recurso para aperfeiçoar o trabalho técnico. A tecnologia auxilia na preparação e no tratamento inicial dos conteúdos, enquanto as decisões e a validação das informações permanecem associadas à atuação dos profissionais.
Revisão humana continua sendo etapa central
Apesar da expansão do uso, a pesquisa aponta que os materiais produzidos com apoio de IA não são incorporados automaticamente aos documentos oficiais. Entre os usuários, 77,8% afirmaram revisar integralmente os conteúdos gerados antes de utilizá-los em trabalhos institucionais.
Essa etapa é relevante porque ferramentas de inteligência artificial podem produzir respostas incompletas, interpretações inadequadas ou informações que precisam ser conferidas. No caso de uma instituição dedicada ao controle externo e à produção de documentos técnicos, a revisão permite avaliar a coerência do material, verificar sua adequação ao contexto e preservar a responsabilidade humana sobre o resultado final.
O diagnóstico também coloca em evidência desafios relacionados à segurança da informação e à confiabilidade dos documentos oficiais. A adoção da tecnologia, nesse cenário, depende não apenas do acesso às ferramentas, mas da definição de práticas que orientem seu uso e mantenham a supervisão dos servidores nas diferentes etapas do trabalho.
O que o levantamento indica para o setor público
A experiência do TCU oferece um retrato de como a inteligência artificial no setor público começa a ser incorporada em uma instituição que lida diariamente com processos, dados, análises e documentos. Os resultados não representam todos os órgãos públicos, mas mostram como uma organização pode acompanhar internamente a maturidade de seus usuários e identificar os efeitos percebidos da tecnologia.
Ao reunir informações sobre frequência de uso, ferramentas adotadas, tarefas beneficiadas e necessidade de revisão, a pesquisa ajuda a delimitar tanto as oportunidades quanto os cuidados envolvidos. O levantamento completo pode ser consultado no infográfico da pesquisa do TCU.
Os dados indicam que a discussão sobre IA na administração pública já passa da possibilidade de adoção para a avaliação de resultados concretos. No TCU, a tecnologia é usada para apoiar tarefas rotineiras e atividades analíticas, mas a revisão humana permanece como requisito decisivo antes que os conteúdos sejam aproveitados em documentos oficiais.
