TRE-AM utilizará 420 antenas em comunidades de difícil acesso para agilizar a transmissão de dados das urnas durante as Eleições 2026.
O tamanho do Amazonas transforma a logística das eleições em um desafio diferente do enfrentado em grande parte do Brasil. Em várias comunidades ribeirinhas, aldeias indígenas e localidades afastadas dos grandes centros, o deslocamento pode levar horas ou até dias, o que também interfere no transporte de equipes e na comunicação dos resultados após o encerramento da votação. Para enfrentar esse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) anunciou a ampliação do uso de tecnologia de comunicação via satélite nas Eleições 2026.
A iniciativa prevê a instalação de 420 antenas Starlink Mini em locais de votação de difícil acesso, permitindo que os arquivos produzidos pelas urnas sejam transmitidos diretamente a partir dessas localidades. Segundo o TRE-AM, a medida deve reduzir o tempo necessário para o envio das informações e diminuir deslocamentos das equipes responsáveis pela operação eleitoral.
Para o eleitor amazonense, a principal dúvida é o que essa tecnologia muda na prática. A resposta está menos na votação em si e mais na velocidade com que os dados poderão deixar comunidades isoladas e chegar ao sistema de totalização, especialmente em regiões onde as distâncias e as condições de transporte representam obstáculos importantes.
Por que o Amazonas precisa de internet via satélite nas eleições?
O uso de conexão via satélite tem relação direta com a geografia amazonense. O estado possui comunidades separadas por grandes distâncias e, em muitos casos, o acesso depende de rios, pequenas embarcações, estradas com condições variáveis ou transporte aéreo. Quando uma localidade de votação fica distante de um centro urbano, uma operação que em outras regiões poderia ser resolvida rapidamente por redes terrestres pode exigir uma estrutura logística muito maior no Amazonas.
É justamente nesse ponto que a nova tecnologia ganha importância. De acordo com o TRE-AM, as 420 antenas serão utilizadas principalmente em comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas. Entre os municípios que receberão maior quantidade de equipamentos estão Parintins, com 33 antenas; São Gabriel da Cachoeira, com 30; Itacoatiara, com 16; e Atalaia do Norte, com 11. A lista mostra que a solução não está concentrada apenas na capital e alcança diferentes áreas do interior.
A tecnologia utilizada se baseia em satélites de baixa órbita terrestre, conhecidos pela sigla LEO, que podem oferecer menor latência e maior velocidade de transmissão do que soluções tradicionais de comunicação via satélite. No contexto eleitoral, isso significa criar uma espécie de ponte de comunicação entre locais onde a infraestrutura convencional é limitada e os sistemas responsáveis pela transmissão dos arquivos produzidos pelas urnas. A medida também pode reduzir a necessidade de deslocamentos após o encerramento da votação, algo especialmente relevante quando as distâncias são grandes e dependem da navegação pelos rios.
A conexão via satélite muda a segurança da urna eletrônica?
Uma das principais dúvidas que podem surgir entre os eleitores é se conectar uma estrutura de transmissão à internet significa conectar a própria urna eletrônica à internet. Segundo as informações divulgadas pela Justiça Eleitoral, não é isso que acontece. A comunicação via satélite será utilizada para transmitir os arquivos produzidos após o encerramento da votação, enquanto a urna continua seguindo os mecanismos de segurança previstos pelo sistema eleitoral brasileiro.
O TRE-AM informa que a urna permanece isolada de conexões Wi-Fi e Bluetooth e não permite acesso remoto ao equipamento. Portanto, a utilização de antenas para comunicação nos locais de votação não significa que alguém poderá acessar a urna à distância por meio da internet. A tecnologia funciona como parte da estrutura de transmissão dos dados depois que os procedimentos eleitorais são encerrados.
Outro aspecto importante para o Amazonas é a preparação das equipes. Os profissionais que trabalharão nos locais de votação passarão por capacitação, realizada em parceria com a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa, Extensão e Interiorização do Instituto Federal do Amazonas (FAEPI/IFAM). Além da questão tecnológica, esse treinamento é necessário porque equipamentos de comunicação instalados em áreas remotas precisam funcionar dentro de uma operação eleitoral que envolve transporte, energia, segurança, armazenamento e deslocamento de equipes.
O TRE-AM também aponta uma redução de custos com a nova solução. A adesão ao contrato firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o fornecimento da comunicação via satélite deverá fazer com que a despesa fique aproximadamente 65% do valor desembolsado na eleição anterior, representando uma redução de cerca de 35%. Isso mostra que, no caso amazonense, a inovação tecnológica não está relacionada apenas à velocidade, mas também à tentativa de tornar uma operação de grandes dimensões mais eficiente.
O que a tecnologia representa para o eleitor do interior do Amazonas?
Para quem vota em Manaus, a mudança pode parecer distante, já que a capital possui uma infraestrutura de comunicação muito mais ampla do que boa parte do interior. Para o eleitor que vive em uma comunidade ribeirinha, em uma aldeia ou em uma localidade distante das sedes municipais, porém, a conexão via satélite representa uma resposta a um problema concreto: como transmitir informações com rapidez quando as distâncias são enormes e as alternativas de comunicação são limitadas.
A experiência também tem potencial para mostrar como tecnologias originalmente associadas à conectividade podem ser adaptadas às características da Amazônia. O desafio não é simplesmente levar internet para todos os lugares, mas construir soluções que considerem rios, florestas, longos deslocamentos e comunidades espalhadas por uma área extensa. No Amazonas, a infraestrutura digital precisa conversar com a realidade geográfica, e as eleições são um exemplo claro de como essa necessidade aparece no cotidiano das instituições públicas.
O calendário eleitoral de 2026 ainda colocará essa estrutura à prova durante uma operação de grande escala. Se a transmissão funcionar conforme o planejamento, os benefícios mais perceptíveis deverão aparecer na redução do tempo de envio dos arquivos e na diminuição dos deslocamentos necessários para levar informações dos locais de votação até os pontos responsáveis pela totalização. A medida, portanto, não altera a forma como o eleitor vota, mas pode transformar uma etapa importante do processo que acontece depois do encerramento da votação.
A iniciativa do TRE-AM também reforça uma questão maior para o estado: conectividade é uma infraestrutura estratégica para o Amazonas. A mesma dificuldade que aparece nas eleições pode afetar educação, saúde, serviços públicos, empreendedorismo e comunicação em comunidades afastadas. Ao utilizar satélites para superar parte dessas barreiras, o estado ganha um exemplo concreto de como a tecnologia pode ser aplicada para reduzir os efeitos da distância. Nas Eleições 2026, o resultado mais importante para o eleitor amazonense será saber que, mesmo em localidades onde chegar fisicamente é difícil, existe uma estrutura preparada para fazer a informação chegar mais rapidamente.
Fontes oficiais: Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas — tecnologia via satélite nas Eleições 2026 · Tribunal Superior Eleitoral — transmissão de resultados no Amazonas
