Polo Industrial de Manaus segue crescendo, com importações em alta e 83 novos projetos aprovados; modelo completa 59 anos como pilar da economia amazônica
Há 59 anos, o Brasil fez uma aposta incomum: criar um enclave industrial em plena Amazônia, protegido por incentivos fiscais, como forma de desenvolver a região sem destruir a floresta. A Zona Franca de Manaus não era consenso quando foi criada, em 1967, e ainda hoje gera debate entre economistas e formuladores de política. Mas os números de 2026 são difíceis de ignorar. Em reunião conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, o Conselho de Administração da Suframa aprovou 83 projetos industriais que, juntos, somam R$ 1,17 bilhão em investimentos. O faturamento total projetado é de R$ 7,29 bilhões, com potencial de geração de 2.880 novos postos de trabalho. Para um estado que combina desafios logísticos imensos, baixa conectividade viária e uma economia historicamente dependente de recursos federais, esse conjunto de aprovações é um sinal concreto de que o modelo segue atraindo capital privado. Agência Gov
O contexto de aprovações positivas coincide com uma mudança relevante na gestão da Suframa. Leopoldo Augusto Melo Montenegro assumiu o cargo de superintendente da Zona Franca de Manaus em abril deste ano, em substituição a Bosco Saraiva, que deixou a função a pedido. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União. Montenegro é servidor da própria Suframa, mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas, com especializações em Gestão de Projetos e Gestão de Pessoas, além de graduações em Direito e Administração. Em entrevista, ele sinalizou que a prioridade imediata da nova gestão é reposicionar a comunicação institucional da Suframa para que o modelo da Zona Franca seja compreendido por toda a sociedade brasileira, não apenas pelos empresários do Norte. “Quem está em outras regiões precisa entender que esse modelo consegue abastecer todo o mercado nacional e beneficiar inúmeras pessoas”, declarou Montenegro. Simmmem
O desempenho industrial e os setores que puxam o crescimento
Em meio a um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas, o Polo Industrial de Manaus segue demonstrando resiliência. As importações do PIM cresceram 5,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Só em março, as importações somaram US$ 1,3 bilhão, com alta de 2,8% em relação a fevereiro e crescimento de 10% na comparação com março de 2025. O crescimento das importações é um indicador indireto de aquecimento industrial: as indústrias do PIM importam insumos para fabricar bens que serão consumidos no mercado interno. O aumento dessas compras no exterior sugere que as fábricas estão produzindo mais e se preparando para ampliar a capacidade produtiva ao longo de 2026. Para os trabalhadores de Manaus, que dependem diretamente do dinamismo do polo, esse sinal é positivo. Revistaoe
Setores como eletrônicos, duas rodas, químico e termoplástico seguem apresentando níveis consistentes de faturamento neste início de ano, reforçando a perspectiva de continuidade do crescimento industrial na região. O Polo Industrial de Manaus reúne cerca de 600 empresas instaladas. Segundo o CIEAM, o estado do Amazonas possui 578,2 mil empregos, sendo aproximadamente 134 mil diretos do PIM. O setor de eletrônicos é o coração histórico do polo: é em Manaus que são fabricados produtos como smartphones, televisores e computadores que abastecem o mercado nacional. A competição com a Ásia, principal desafio apontado pelos industriais, segue intensa, mas os incentivos fiscais do modelo garantem uma margem de competitividade que permite às fábricas mantenenses operar com escala suficiente para sobreviver no mercado doméstico. Portal Logweb
O impacto além da fábrica: floresta, universidade e bioeconomia
O debate sobre a Zona Franca frequentemente se concentra nos números industriais e na renúncia fiscal. Mas uma das dimensões menos discutidas é o papel do modelo na preservação ambiental. O governador Roberto Cidade afirmou: “Nós não podemos abrir mão da Zona Franca de Manaus, que é o maior modelo econômico do nosso estado, que gera emprego e sustenta nossa floresta em pé. Temos mais de 90% da nossa floresta preservada porque temos aqui o modelo Zona Franca”. A lógica é direta: ao criar empregos urbanos em Manaus, o modelo reduz a pressão migratória sobre a floresta, diminui o avanço do desmatamento e mantém populações tradicionais em seus territórios. Estudos do INPE já documentaram a relação entre a industrialização do Polo e os menores índices de desmatamento no Amazonas em comparação com estados vizinhos. Informemanaus
A Universidade do Estado do Amazonas tem em 2026 97,7% do orçamento autorizado proveniente de recursos vinculados ao modelo econômico da Zona Franca de Manaus. Entre 2023 e 2025, os valores empenhados cresceram de R$ 658,2 milhões para R$ 890,1 milhões. Hoje, todos os alunos da UEA são atendidos por esses recursos: 20.374 estudantes de graduação e 6.032 de pós-graduação. A universidade financia cursos em municípios do interior que, sem esse recurso, jamais teriam acesso ao ensino superior. Engenharia, Medicina e cursos de tecnologia formam profissionais que são absorvidos diretamente pelo polo industrial, criando um ciclo virtuoso entre investimento produtivo, formação acadêmica e desenvolvimento humano. Em 2025, os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação por parte das empresas do PIM superaram R$ 1,6 bilhão, financiando projetos de inteligência artificial, automação e biotecnologia aplicada à floresta, segundo dados do governo do Amazonas. Agite Manaus
Fontes: Agência Gov | Simmmem | Portal Informe Manaus | Metrópoles
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
